Os distúrbios nos subúrbios de Paris em 2005 começaram dia 27 de Outubro devido a perseguição seguida de morte de dois jovens descendentes de africanos- Benna e Traoré- pela polícia de Paris.
Os protestos em série depois da morte dos dois jovens duraram 19 noites consecutivas até o dia 16 de novembro. Os motins começaram em Clichy-sous-Bois e espalharam-se por vários bairros de subúrbio de Paris. Jovens indignados, queimaram 8.970 carros e entraram em confrontos com a polícia francesa, foram presos 2.888 jovens e um morto, além de Benna e Traoré. O Presidente Jacques Chirac declarou oestado de emergência, a estimativa de prejuízos foi de 200 milhões de dólares.
A onda de destruição que varreu a França, em Novembro de 2005, foi interpretada em muitos países da Europa como a confirmação da tese há muito propaladas pela extrema-direita: a entrada maciça de imigrantes africanos e muçulmanos, mais dia menos dia acabaria por se tornar num perigo para a ordem pública. A razão não seria de natureza somente racial, mas cultural, mais ampla. Os africanos estão marcados pelas memórias da colonização europeia.
A forma como a França interpreta o seu passado nos dois últimos séculos, por exemplo, é inaceitável para os novos imigrantes. Eles são oriundos de países conde os franceses praticaram em larga escala o tráfico de escravos, saques e matanças sem fim. É por isso que as grandes referências culturais da nação que se auto-proclama guardião dos grandes valores universais, como Liberdade, Igualdade e Fraternidade, nada dizem a mais de 10% da sua população originária do norte de África e a sul do Sahara, quase todos de religião muçulmana (argelinos, marroquinos, tunisinos, etc).
A França acolheu imigrantes (mão-de-obra barata), mas remeteu-os para os arredores das suas cidades, confinando-os a guetos. Se por um lado lhes concede a cidadania, por outro recusa integrar a cultura destes povos na cultura francesa. A discriminação instalou-se na sociedade francesa. Uma parte da sua população começou a ser tratada como franceses de segunda, olhados com desconfiança. Acontece que estes imigrantes não pararam de aumentar. O dilema é que sem eles a economia francesa não funciona.

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