-O quê?
-Onde?
-Quando?
-Quem?
-Por quê?
-E eu com isso?

Para muitos portugueses os brasileiros sao prostitutas e ladrões. Para muitos brasileiros os portugueses são padeiros, burros e com mulheres feias. Acham mesmo que isto é a realidade?

A xenofobia (do grego, "xeno" = estrangeiro e "fobia" = medo), entendida como aversão ao imigrante, ocorre basicamente devido às diferenças sócio-culturais existentes entre pessoas de países diferentes. É preciso analisar os fluxos migratórios para entender porque a xenofobia ocorre e representa um problema atualmente.

Migrações internacionais constituem movimentos de saída e chegada de pessoas entre países. O termo migração internacional pode ser subdividido em emigração (refere-se a pessoas que saem do país) e imigração (refere-se a pessoas que entram no país). Os impulsos migratórios são, geralmente, motivados por questões econômicas: de um lado, ligados a fatores de repulsão de emigrantes (crises econômicas, guerras, conflitos em geral, fome, etc.); e, de outro, a fatores de atração (oportunidades de emprego, sonhos de enriquecimento rápido, melhoria na qualidade de vida, etc.).

A Europa, em meados do século XIX e início do século XX, passava por uma explosão demográfica (devido ao desenvolvimento de técnicas médico-sanitárias e o consequente aumento da natalidade) que, aliada à crise na produção agrícola e à fome (motivadas por sucessivas guerras), impulsionaram a saída de muitos europeus em direção a países do continente americano e às colônias africanas, movidos pelos sonhos do acesso à terra e do enriquecimento rápido. Foi justamente com esses e outros tantos sonhos que, entre 1884 e 1933, quase quatro milhões de imigrantes desembarcaram no Brasil (alemães, espanhóis, portugueses, italianos, japoneses, turcos, sírios, entre outros), com destaque para os italianos, que somavam algo em torno de 1,5 milhão de pessoas.

Atualmente o fluxo é inverso, as pessoas saem dos países chamados subdesenvolvidos rumo aos países desenvolvidos, tendo como principais destinos os Estados Unidos (35 milhões, em 2000), a Europa (56 milhões, em 2000) e o Japão (1,5 milhões, em 1998). O primeiro momento deste fluxo ocorreu entre a década de 50 e fins da década de 70, quando alguns países da Europa, os Estados Unidos e o Japão estimulavam a imigração, a fim de conseguir mão-de-obra na reconstrução do pós-guerra, para ocupar as vagas de menor qualificação e baixa remuneração, desprezadas por suas populações locais. Geralmente, na Europa, chegavam imigrantes vindos principalmente da África e do Oriente Médio, de suas colônias (ou ex-colônias); nos Estados Unidos, mexicanos eram convocados a trabalhar no campo através do "bracero program"; e, no Japão, os "dekasseguis" (trabalhadores brasileiros com ascendência japonesa) eram bem recebidos.

O crescimento da xenofobia remonta à década de 80, pois nos anos 70 vieram as duas crises do petróleo e as dificuldades econômicas. A conseqüência foi o surgimento do discurso xenófobo da extrema direita de que imigrantes roubam emprego. A discriminação resultante é contra estrangeiros, não especificadamente ou somente contra raça, etnia ou religião, mas contra a cultura estrangeira em geral. Foi quando os imigrantes passaram a formar seus guetos.

Com o fim da União Soviética houve a chegada de imigrantes do Leste Europeu à Europa Ocidental. Como nas décadas anteriores, foram em busca de emprego. A reação é o surgimento de grupos neonazistas. Aproximadamente 10% da população da Alemanha, por exemplo, é composta por estrangeiros, sendo que a maioria é de turcos, os mais atingidos pela xenofobia.
Muitos imigrantes chegados nesta época eram muçulmanos (de países como Casaquistão e Turcomenistão), religião que acabou identificada com o fundamentalismo e terrorismo antiocidental após o 11 de Setembro de 2001. Entre 2004 e 2005, quando ocorreram os ataques à bomba aos metrôs de Madri e Londres, respectivamente, esse sentimento de oposição se intensificou. E ficou bastante exposto entre 27 de outubro e 8 de novembro de 2005, quando estudantes de origem estrangeira incendiaram carros na periferia de Paris para protestar contra a morte de dois estudantes.

A recente crise econômica mundial ocasionou um crescente desemprego e colocou a competitividade a qualquer custo como única alternativa de sobrevivência. Esta conjuntura gera insegurança, ressentimento e violência. É mais fácil responsabilizar os estrangeiros pelo desemprego, pela criminalidade e pela insegurança, do que entender as complexas razões da crise financeira. As soluções apresentadas são, então, também bem simples e conduzem à xenofobia, quando os estrangeiros são tratados como concorrência indesejada.

Mas, a xenofobia expõe os países europeus a uma séria contradição econômica. Por causa do baixo índice de natalidade e da crescente expectativa de vida da população, existe a tendência de que a Europa venha a ser a sociedade mais idosa do mundo. Nesta perspectiva, conforme estudo da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado em 2000, 1,5 milhão de estrangeiros teriam de imigrar para a Europa por ano, somente para sustentar o atual número de pessoas em idade de trabalho até 2050.
Isso acontece porque os cidadãos que formam a força de trabalho passarão para o contingente de idosos e não serão substituídos, em virtude da baixa natalidade no país. O aumento da proporção de idosos na pirâmide populacional – somada à sua maior longevidade – vai pesar nas contas públicas, principalmente na previdência social, e também no bolso dos cidadãos em idade produtiva. Porém, não ocorre o incentivo aos imigrantes neste sentido, e sim medidas, por parte dos governos dos países europeus com relação às suas respectivas populações, de apoio à natalidade, que se traduz essencialmente no aumento do abono de família para as crianças e na criação de uma nova prestação de apoio à gravidez. Medidas protecionistas e nacionalistas como estas aumentam paralelamente às leis anti-imigração. Torna-se cada vez mais difícil entrar, mesmo legalmente, nos países desenvolvidos.

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