A prova de redação da Fuvest-2009 foi sobre a temática "fronteiras". É um tema diferente do qual estamos trabalhando (xenofobia), mas há muitos aspectos em comum nas argumentações, por isso, esta página, que contém algumas das melhores redações daquele vestibular, pode inspirá-los: redações


Dicas:

- Antes de começar a escrever o texto definitivo, faça o rascunho

- Faça uma lista dos tópicos com os seus conhecimentos a respeito do assunto.

- Separe os tópicos entre a introdução, o desenvolvimento e a conclusão.

- Use os tópicos para escrever o texto.

- Leia o texto e retire ou acrescente o que for necessário.

- A falta de ordenação de idéias gera um texto sem encadeamento e, às vezes,incompreensível, partindo de uma idéia para outra sem critério, sem ligação.

- Observe novamente a proposta para ter certeza de que não está fugindo ao tema.

- Reescreva e releia o texto, fazendo uma breve correção.

- Depois de corrigir os erros enxergados por você, passe a redação a limpo e não modifique mais nada.

- Evite o uso de gírias ou figuras de linguagem. Dessa maneira você pode não ser claro quanto ao conteúdo da sua redação.

- A postura mais adequada para se dissertar é escrever impessoalmente, ou seja, evite a utilização da primeira pessoa do singular.

- Evite ao máximo, semelhanças com a oralidade. Lembre-se que quando escrevemos uma redação devemos obedecer às normas da língua.

- Na dissertação, não use expressões como "eu acho", "eu penso" ou "quem sabe", que mostram dúvidas em seus argumentos.

- Evite os sinais de pontuação cujo uso você não domina. A exclamação, as reticências, as aspas, o ponto e vírgula e os dois pontos são sinais que podem ser evitados caso haja uma insegurança quanto ao uso. Contudo, o uso correto desses sinais pode enriquecer o texto e torná-lo mais compreensível, auxiliando não só a construção do texto como a compreensão do mesmo.

- Evite rasuras mas, caso aconteça coloque entre parênteses e sobre a palavra um leve risco e repita a palavra corretamente na sequência.

- Não faça afirmações levianas, como "todo político é corrupto".

- Não use expressões populares e cristalizadas pelo uso, como "a união faz a força".

- Evite generalizações como "nunca", "sempre" , "todos".

- Separe o texto em parágrafos. Sem a definição de uma idéia em cada parágrafo, a redação fica mal estruturada. Não corte a idéia em um parágrafo para concluí-la no seguinte. Não deixe o pensamento sem conclusão.

- Não faça períodos longos demais, mas não exagere nos pontos. É necessário o devido equilíbrio.

Período longo demais

A menos que tenha muita segurança no que está dizendo, o aluno deve evitar períodos longos demais. Muitas informações em um só período quase sempre resulta em falta de clareza e ambigüidade.

"É segundo esta noção de projeto que vamos, a partir desta visão humanista da problemática urbana - sem deixar de levar em consideração as nossas condições de país de formação colonial - analisar os projetos de cidade expressos nos trabalhos de diversos órgãos federais."
Correção: Vamos analisar os projetos expressos nos trabalhos de diversos órgãos federais a partir de uma visão humanista da problemática urbana.

Frases muito curtas - estrutura incompleta

"Agora, época de eleição, a população cansada de enriquecer políticos, sem escolha de partido." (Redação de aluno)
Comentário: o trecho acima não foi concluído pelo aluno, dessa forma, a estrutura do período tornou-se incompleta.
Correção: Agora, época de eleição, a população cansada de enriquecer políticos, sem escolha de partido, fica à mercê de discursos moralistas que visam formar a opinião pública segundo os seus interesses.

Mais dicas aqui.
Fonte da imagem: http://www.elmundo.es/resumen/2005/fotos/18.html

Os distúrbios nos subúrbios de Paris em 2005 começaram dia 27 de Outubro devido a perseguição seguida de morte de dois jovens descendentes de africanos- Benna e Traoré- pela polícia de Paris.

Os protestos em série depois da morte dos dois jovens duraram 19 noites consecutivas até o dia 16 de novembro. Os motins começaram em Clichy-sous-Bois e espalharam-se por vários bairros de subúrbio de Paris. Jovens indignados, queimaram 8.970 carros e entraram em confrontos com a polícia francesa, foram presos 2.888 jovens e um morto, além de Benna e Traoré. O Presidente Jacques Chirac declarou oestado de emergência, a estimativa de prejuízos foi de 200 milhões de dólares.

A onda de destruição que varreu a França, em Novembro de 2005, foi interpretada em muitos países da Europa como a confirmação da tese há muito propaladas pela extrema-direita: a entrada maciça de imigrantes africanos e muçulmanos, mais dia menos dia acabaria por se tornar num perigo para a ordem pública. A razão não seria de natureza somente racial, mas cultural, mais ampla. Os africanos estão marcados pelas memórias da colonização europeia.

A forma como a França interpreta o seu passado nos dois últimos séculos, por exemplo, é inaceitável para os novos imigrantes. Eles são oriundos de países conde os franceses praticaram em larga escala o tráfico de escravos, saques e matanças sem fim. É por isso que as grandes referências culturais da nação que se auto-proclama guardião dos grandes valores universais, como Liberdade, Igualdade e Fraternidade, nada dizem a mais de 10% da sua população originária do norte de África e a sul do Sahara, quase todos de religião muçulmana (argelinos, marroquinos, tunisinos, etc).

A França acolheu imigrantes (mão-de-obra barata), mas remeteu-os para os arredores das suas cidades, confinando-os a guetos. Se por um lado lhes concede a cidadania, por outro recusa integrar a cultura destes povos na cultura francesa. A discriminação instalou-se na sociedade francesa. Uma parte da sua população começou a ser tratada como franceses de segunda, olhados com desconfiança. Acontece que estes imigrantes não pararam de aumentar. O dilema é que sem eles a economia francesa não funciona.
Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial